segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

O Mundo em mudança, a energia muda com ele




Não há sombra de dúvidas que o panorama energético mundial está em mudança, e perto de um ponto de inflexão. O xadrez no qual se jogava o jogo do mundo da energia está a mudar, e com ele está a mudar o equilíbrio de forças e a forma como a economia mundial pode evoluir. Quando muitas das certezas eram tidas como absolutas, e quando o futuro da energia mundial era evidente, eis que a surpresa vem com grandes mudanças que estão a ocorrer, sem que ninguém fale nas mesmas:

- Há menos de 3 anos a aposta na energia nuclear, os fortes investimentos no sector e as perspectivas futuras respectivas indiciavam o renascimento do sector em termos globais. Eis que surge o acidente nuclear em Fukushima, Japão, e tudo é posto em causa e, de uma aposta estratégica, o sector passa para um estado de dúvida eminente e, na sequência, muitas nações abandonaram os seus programas de produção de energia nuclear, outros definiram planos progressivos de descontinuação, sendo poucas as que mantiveram a aposta;

- Há 5 anos atrás os EUA sofriam de uma crise ao nível da exploração de petróleo, tendo atingido o pico, e tornando-se cada vez mais dependente em termos energéticos. Desde essa data, e devido aos avanços ao nível da fracturação hidráulica, e da produção a partir do xisto betuminoso, os EUA aumentaram o "output" em cerca de 56% e reduziram as importações em 40%;

- Há 4 anos atrás os custos dos painéis solares eram exorbitantes. No entanto, um rápido aumento de capacidade produtiva por parte da China levou à criação de excedentes, que fez com que os custos reduzissem mais de 60%;

- Há cerca de meia década os EUA encabeçavam a lista dos maiores importadores de GPL em todo o mundo, gastando mais de 100 Milhões de dólares por ano, só para compensar o défice em termos de produção doméstica. Agora, e graças ao desenvolvimento na exploração de gás de xisto e de xisto betuminoso, fruto de um investimento estratégico e sustentado, os EUA estão-se a tornar exportadores de gás de xisto para a Ásia e para a Europa;

- Há 2 anos atrás a Alemanha movia-se a todo o gás para se tornar um produtor de topo de energias renováveis, investindo centenas de milhares de Milhões de euros, e criando uma Agenda para a Energia Renovável como principal fonte de energia do país. Actualmente, essa mesma Agenda foi posta em causa devido aos elevados custos e à perda de competitividade, no que concerne aos custos energéticos, em termos internacionais para nações como os EUA;

- A produção de energia eléctrica através da queima de carvão foi dada como extinta, fizeram-lhe o funeral, mas, no entanto, as vantagens em termos económicos para países como a China, que apostou forte neste tipo de produção, resultou num reduzir de custos energéticos, que contribuiu para que mais de 572 Milhões de Chineses pobres aumentassem os seus rendimentos, e evoluíssem com a evolução industrial e económica do país; possibilitou aos mesmo ter acesso a melhores cuidados de saúde e alimentação, que compensaram os efeitos da poluição decorrente das emissões das centrais de produção a carvão, para a sua saúde, que de outra forma não seria possível;

A rapidez destas mudanças constitui um desafio para a indústria, para os governos e para os consumidores que dependem da energia, devido aos elevados custos de investimento e à natureza de longo prazo dos mesmos. Entre 10 a 15 anos podem passar desde que é descoberto um poço de petróleo, até ao momento em que começa a exploração efectiva. Uma central de produção de energia pode levar 5 anos a construir, e pode operar cerca de 60 anos ou mais. E, no entanto, durante este período de tempo muita coisa muda...

Por estas e por outras é que é importante estar atento às tendências, à evolução do xadrez energético, à disponibilidade dos recursos energéticos, às tecnologias disponíveis, às questões ambientais inerentes, uma vez que os investimentos energéticos avultados de hoje, que não tenham suporte em termos futuros, podem levar a desperdícios de capital, que poderia ser útil para desbloquear outros tipos de investimentos mais acessíveis, mais eficientes e mais abrangentes.

Porque a energia é importante para o desenvolvimento económico, para a sociedade, para a coesão e para criação de riqueza, é importante atentar nas tendências em curso, ao mesmo tempo que se balanceiam os impactos ambientais, das opções tomadas, com os impactos económicos.

terça-feira, 26 de março de 2013

A ideia errada sobre a “Hora do Planeta”


Escrevo estas linhas porque tenho assistido à forma errada como a “Hora do Planeta”, iniciativa da WWF, organização que aconselhei em acções esporádicas, a nível nacional e ibérico, que leva a que os cidadãos pensem que o facto de desligarem as luzes todas durante uma hora resolve alguns dos problemas ambientais e energéticos da Terra, nem que seja simbolicamente.
Nada mais errado, porque enquanto se pensa só em desligar luzes não se aborda o verdadeiro problema em termos de consumos de energia eléctrica, que são os aparelhos de ar condicionado, o aquecimento, as televisões, os computadores e os telemóveis, os quais têm uma utilização muito mais intensiva de energia eléctrica que propriamente as luzes, que aliás até estão cada vez mais eficientes e mais economizadoras.
Hipoteticamente desligar as luzes durante uma hora reduziria as emissões de dióxido de carbono das centrais eléctricas de todo o mundo. Contudo, mesmo que todos, no mundo inteiro, apagassem toda a iluminação da casa, e isso se traduzisse inteiramente na redução de CO2 a essa hora, seria o equivalente  à China pausar as suas emissões de dióxido de carbono durante menos de quatro minutos. Ou seja, 4 minutos de consumos na China equivalem a mais de 1 hora no resto do Mundo. Ainda querem discutir o busílis da questão?
A verdade é que a Hora do Planeta levará a um aumento das emissões.
Tal como foi descoberto pelas operadoras britânicas da rede eléctrica nacional, uma pequena redução no consumo de electricidade não leva a que seja bombeada menos energia para a rede, pelo que as emissões não diminuem, porque as centrais continuam a colocar energia na rede. Além disso, durante a Hora do Planeta, qualquer queda significativa na procura de electricidade conduzirá à diminuição das emissões de dióxido de carbono durante aquela hora, mas isso será compensado pela posterior sobrecarga das centrais a carvão ou gás no restabelecimento do fornecimento de electricidade. Sim, porque o processo de arranque em termos de ligação das luzes equivale à quase totalidade da poupança gerada nessa mesma Hora do Planeta.
Tudo bem, desligamos as luzes durante uma hora, ficamos todos satisfeitos, acendemos umas velinhas e fica tudo bem. Não, antes pelo contrário, as emissões de dióxido de carbono das ditas velinhas são superiores ao dióxido de carbono evitado através do “apagão” das luzes, uma vez que estas contêm parafina, que deriva dos combustíveis fósseis, sendo mesmo cerca de 100 vezes menos eficientes que as lâmpadas.
A electricidade trouxe enormes benefícios à humanidade. Perto de três mil milhões de pessoas, para cozinharem e para se aquecerem, continuam a queimar, dentro de suas casas, estrume, galhos e outros combustíveis tradicionais, gerando fumos nocivos que matarão cerca de dois milhões de pessoas todos os anos, sobretudo mulheres e crianças, que são menos resistentes respiratoriamente, como advoga a Organização Mundial de Saúde.
Da mesma forma, a electricidade permitiu-nos mecanizar grande parte do nosso mundo e eliminar a maioria do trabalho extenuante. A máquina de lavar roupa libertou a mulher de passar horas infindáveis a transportar água e a esfregar roupa nas tábuas de lavar. O frigorífico permitiu que quase toda a gente possa comer mais fruta e vegetais, deixando de comer alimentos apodrecidos, sendo essa a principal razão para o facto de o cancro mais prevalecente nos homens na década de 1930, o cancro do estômago, ser agora o menos frequente.
A electricidade permitiu-nos regar os campos e sintetizar fertilizantes a partir do azoto do ar. A luz que produz permitiu-nos ter uma vida activa e produtiva quando escurece. Em média, a electricidade consumida por cada habitante dos países ricos equivale à energia de 56 empregados que estariam ao seu serviço. Mesmo os povos da África Subsahariana dispõem de electricidade equivalente a cerca de três empregados. Não é de poupança de energia que os africanos precisam, mas sim de mais electricidade.
Isto é relevante não apenas para os países pobres. Devido ao aumento dos preços da energia decorrente das subvenções para as energias verdes, 800.000 famílias alemãs já não conseguem pagar as suas facturas de electricidade. Isto está relatado na imprensa regional alemã. No Reino Unido, mais de cinco milhões de pessoas têm actualmente dificuldades em fazer face às suas despesas de electricidade e o regulador eléctrico do país, assim como a gestora da rede de distribuição, a Nationalgrid, evidenciam publicamente os seus receios de que os objectivos em matéria de ambiente possam levar a cortes de electricidade dentro de menos de nove meses.
Actualmente, a energia eólica e solar que produzimos representa apenas uma pequena fracção da energia de que precisamos – 0,7% das nossas necessidades provêem da energia eólica e 0,1% provêem da energia solar. Estas tecnologias são ainda muito dispendiosas, além de que não são fiáveis, pois continuamos a não saber o que fazer quando o vento não sopra, ou quando não está sol. Mesmo com os pressupostos mais optimistas, a Agência Internacional de Energia estima que, em 2035, estaremos a produzir apenas 2,4% da nossa energia a partir do vento e 0,8% a partir do sol.
Para tornar ecológica a energia mundial, temos de deixar para trás a antiquada política de subsidiar as energias solar e eólica, que não são fiáveis – uma política que fracassou durante 20 anos e que fracassará nos próximos 20. Em vez disso, devemos focalizar-nos em inventar e desenvolver novas tecnologias amigas do Ambiente, mais eficientes, para vencer na concorrência com os combustíveis fósseis.
Se queremos realmente um futuro sustentável para toda a humanidade e para o nosso planeta, não devemos mergulhar na escuridão. Lidar com os desafios climáticos desligando as luzes e jantando à luz das velas é uma solução irrealista que apenas seduz os privilegiados que beneficiam de electricidade e têm uma vida confortável.
Favorecer a investigação e desenvolvimento no sector das energias verdes pode não ser tão satisfatório como participar numa tertúlia global com lanternas e boas intenções, mas é certamente uma ideia muito mais inteligente.
Costumava pensar a questão das energias alternativas e do Ambiente de uma forma mais leviana, mas o conhecimento adquirido com a experiência, as conversas com especialistas fiáveis e a análise custo/benefício das várias soluções ao dispor deram-me mais lucidez.

E eu que fui uma das pessoas que mais se envolveu e mais viveu a dita “HORA DO PLANETA”.

sábado, 12 de janeiro de 2013

O problema do lixo nos municípios


Os municípios vão produzir consideravelmente mais lixo até 2025, com o maior aumento a acontecer nos municípios dos países em desenvolvimento. Prevê-se, segundo dados do Banco Mundial, que nos próximos 13 anos, o montante de resíduos municipais aumentará cerca de 1,3 biliões de Toneladas por ano, para um valor de 2,2 biliões de Toneladas por ano. O custo anual estimado com a gestão de resíduos sólidos urbanos é de cerca de 205 biliões de dólares, perspectivando se um aumento para os 375 biliões de dólares, principalmente nos países mais pobres.
No entanto, e efectuando uma análise rápida ao panorama nacional, verifica-se ainda alguma ineficácia ao nível da gestão dos resíduos sólidos urbanos, com grande parte dos municípios a ainda não valorizarem devidamente a importância estratégica deste tipo de serviço, descurando por vezes as consequências sociais e económicas, para não falar nas consequências ambientais, deste tipo de atitude. Urge tomar medidas para levar a cabo uma melhor gestão dos resíduos, reforçando a rede de pontos de recolha, e sensibilizando a população para a importância de consumir mais adequadamente, como forma de reduzir os resíduos e desperdício produzidos, para que invertamos a tendência, assim como sensibilizando as empresas para que levem a cabo acções que lhes possibilitem produzir produtos com embalagens mais ecológicas, mais ergonómicas e mais eficientes em termos de consumo de materiais.
Não obstante, os municípios têm um papel fundamental neste capítulo, uma vez que é no seu orçamento que os custos com a gestão de resíduos mais pesam, o que por si só pode levar a situações de redução de serviços e desinvestimento na rede de pontos de recolha, como forma de redução de custos. E custa-me saber que muitas Câmaras têm cortado na gestão de resíduos como forma de poupar dinheiro, dinheiro esse que irá para o pagamento de dívidas relativas a obras que forma feitas sem qualquer sustentabilidade e rigor.
No entanto, a gestão de resíduos é o mais importante serviço que qualquer município pode prestar, sendo muita vezes, e em vários municípios, o sector que mais emprego cria e com um elevado potencial económico para o País.
Qualquer município que não seja capaz de gerir eficazmente o seu sistema de gestão de resíduos, também não é capaz de gerir serviços mais complexos como a saúde, educação, acção social e transportes.
É por isso que urge investir cada vez mais neste sector  com tanto potencial, e que muitas vezes é visto como não sendo sexy. Mas sem limpeza e salubridade, todos se cansarão de ser sexy.

sábado, 3 de novembro de 2012

Ganhar dinheiro poupando o Ambiente: a importância do envolvimento de todos

Segundo dados recentemente divulgados por algumas organizações ambientalistas, 16% de toda a energia consumida provém de dentro das habitações. É um número elevado.
No que concerne às questões energéticas é certo sabido que Portugal não é autossuficiente, sendo 76,7% dependente do exterior, daí estar sujeito a toda e qualquer flutuação do mercado de preços, questões geopolíticas e conflitos em países produtores de gás e petróleo, assim como a quebras nos fornecimentos, que podem pôr em causa a produção das empresas, a prestação de serviços públicos, enfim toda a Economia e seus movimentos, tal como conhecemos.
É certo que a incorporação de energias renováveis (hídrica, fotovoltaica, biomassa e eólica) representam uma fatia importante no nosso mix energético, no entanto a fatia de leão das nossas matérias-primas energéticas é constituída pelo petróleo, gás e carvão.
O petróleo mantém um papel essencial na estrutura de abastecimento, representando 49,1% do consumo total de energia primária, O gás natural contribuiu, no último decénio, para diversificar a estrutura da oferta de energia e reduzir a dependência exterior em relação ao petróleo. Manifestou uma evolução positiva no mix energético, representando este combustível 19,7%. O consumo de carvão representa 7,2% do total do consumo de energia primária. Prevê-se uma redução progressiva do peso do carvão na produção de eletricidade, devido ao seu impacto nas emissões de CO2. O contributo das energias renováveis no consumo total de energia primária é de 22,8% contra 20% em 2009.
Os resíduos industriais e o saldo importador de eletricidade tiveram, respetivamente, uma contribuição de 0,2% e 1,0% no consumo total de energia primária.
Tendo tudo isto em mente, e tendo em conta que em 2013 a fatura de eletricidade volta a subir – 2,8%, em princípio – pelo que a eficiência e poupança energética representará um fator cada vez mais importante para a sustentabilidade económica das famílias, uma vez dado o peso representativo dos consumos domésticos de cerca de 16% nos consumos totais, e aí sim podemos fazer a nossa parte e impactar na redução da dependência externa através da redução dos nossos consumos, sendo mais eficientes.
Para isso deixo aqui algumas simples dicas/medidas que podem ajudar a consumar este impacto e esta redução de consumos, que causa impacto no bolso e no Ambiente, assim como na balança comercial do país, tornando Portugal menos dependente. Ei-las:
1.Desligue as luzes sempre que uma divisão está vazia, nem que seja por 1 minuto.
2.Substitua lâmpadas incandescentes pelas economizadoras, não espere pela altura em que as primeiras cheguem ao fim de vida. Há lâmpadas que poupam mais de 80% em energia. A Deco diz que este gesto permitirá reduzir em 25% o consumo energético anual.
3.Desligue – mesmo – os aparelhos eletrónicos, uma vez que estes continuam a consumir eletricidade no modo stand-by.
4.Retire o carregador do telemóvel da tomada quando o seu aparelho estiver carregado. Ele continua a consumir energia.
5.Cozinhe com tachos tapados para evitar perdas desnecessárias de calor.
6.Descongele os alimentos com antecedência, evitando assim utilizar o micro-ondas.
7.Prefira programas económicos das máquinas de lavar loiça e roupa, que gastam menos água e energia, especialmente se os utilizar com a carga máxima.
8.Evite a pré-lavagem e opte pelos programas de baixas temperaturas.
9.Aproveite o Sol e abdique das máquinas de secar roupa.
10.Reduza o tempo de abertura do frigorífico, que é responsável por 20% do consumo total deste equipamento. Assim, irá também levar à diminuição da acumulação de gelo, aumentando a capacidade de refrigeração e congelação.
11.Opte pela tarifa bi-horária, um período em que a eletricidade é mais barata, é sobretudo à noite.
12.Na hora do banho pense nos litros de água desnecessários que irá gastar. Prefira um duche rápido a um banho de imersão.
13.Feche a torneira quando se ensaboa ou lava os dentes.
14.Opte por autoclismos com dois volumes de descarga, um de três e outro de seis litros. Se não quiser comprar um autoclismo novo, coloque uma garrafa cheia de água no respetivo depósito, diminuindo assim o volume total de cada descarga.

Desta forma pouparemos dinheiro, energia, os recursos hídricos, os equipamentos e acima de tudo estamos a dar o nosso contributo para um país ambientalmente mais viável.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

O consumismo é a arma de destruição massiva do planeta Terra!

Terminada a Conferência Mundial sobre sustentabilidade das Nações Unidas, no Rio de Janeiro, denominada Rio+20, que decorreu entre 22 e 24 de Junho, há algumas considerações e conclusões a reter e nas quais todos devem refletir: o planeta Terra está a ver os seus recursos esgotarem-se cada vez mais, nos últimos 10 anos demos cabo de cerca de 1/3 dos recursos do nosso planeta, reduzimos em 40%  a disponibilidade de água potável e condicionamos a capacidade de renovação do ciclo da água no planeta, o nosso consumo desenfreado e forma como nós estamos a ser influenciados pela publicidade agoniante que nos entra todos os dias pelos olhos dentro, a forma como as alterações climáticas estão a influenciar em larga escala algumas das catástrofes e acontecimentos ambientais, e muito mais.
Mas o que quero hoje abordar, e de forma muito sucinta, é a forma como nos tornamos consumistas, e como tal contribui para degradar o nosso planeta, assim como condicionar a nossa felicidade.
Visualizem, por momentos, a vida de uma pessoa que quer cada vez mais e mais, mais carros, mais casas, mais gadgets, mais eletrodomésticos, mais bens desnecessários. Essa pessoa terá tendência a querer trabalhar cada vez mais e mais para obter mais bens, mas quanto mais bens obtém, mais bens quer, sendo que quando chega a casa do trabalho já não tem paciência para se envolver em atividades da sua comunidade, não tem tempo para visitar os familiares e amigos, não tem tempo para praticar desporto, etc... só tem tempo para se sentar perto da televisão, que por sua vez está repleta de anúncios que nos fazem crer que somos umas "nódoas" por não termos determinado produto, e aí nós, cansados e desgastados de trabalhar, sem vida social e comunitária, vamos querer ter este ou aquele produto para nos sobressairmos, o que leva para o ciclo de trabalhara cada vez mais e usufruir e viver cada vez menos.
Agora imaginem, por momentos, não mais que 5 minutos, o impacto que tudo isto tem no Ambiente, com as indústrias a produzirem cada vez mais bens desnecessários, a poluírem cada vez, uma vez que os processos produtivos sobreaquecidos não garantem a devida gestão do desperdício, e a extraírem cada vez mais matéria da Natureza, sim, da Natureza, porque as "coisas" são feitas de algo, e como o nosso planeta nos suporta, também é de "cá" que extraímos o que necessitamos. Tudo isto aumento ainda mais o peso do corporativismo e a sua influência sobre os governos, que perto destas mega empresas de produção em massa parecem muito pequenos e subservientes. Agora imaginem que para muitas vezes comprarmos produtos baratos, que para quem consome muito é bom, é necessário utilizar petróleo do Iraque, onde não se respeitam os direitos humanos e dos solos, efetuar a produção de componentes na China ou na África do Sul, onde se pagam salários humanamente ridículos e onde se abusa da mão-de-obra infantil, efetuar os processos de montagem no México ou no Congo, onde colocam crianças de 10 anos a trabalhar e degradam em larga escala os recursos naturais como água, solos, ar, etc. Tudo isto só para termos um produto barato, externalizando os custos de processo e os custos ambientais, dando cabo de zonas importantes no Mundo e de gente acima de tudo.
Vejam este vídeo e perceberão: http://www.youtube.com/watch?v=gLBE5QAYXp8

Enfim, em vez de nos preocuparmos com melhores índice de educação, em cuidarmos melhor das nossas crianças e idosos, em investirmos em mais atividades que promovam uma vida saudável, em serviços que visem promover uma gestão adequada dos ecossistemas e dos recursos naturais, investirmos mais na cultura, no desporto, e não só no futebol, e digo isto mesmo sendo um ferrenho aficionado, investirmos na produção de energia limpa, e acima de tudo investirmos no consumo racional, consumindo apenas o essencial e necessário. Mas melhor que tudo investir em felicidade, passando tempo com amigos, trabalhando para a comunidade e fazendo mais e melhor pelo país e mundo. A isto de dá o nome de FIB (Felicidade Interna Bruta) e não PIB (Produto Interno Bruto).

Façamos algo antes que seja tarde. É por isso que a letra desta música dos Linkin Park: "What I've done!" - http://www.youtube.com/watch?v=8sgycukafqQ - diz muito.

Como disse John F. Kennedy, acerca do PIB: "O Produto Nacional Bruto contabiliza a poluição atmosférica e a publicidade de cigarros. E as ambulâncias para remover os feridos em auto estradas. Considera as fechaduras especiais para as nossas portas e as prisões para as pessoas que as arrombam … Conta a destruição das florestas e a perda, que se espalha caoticamente, de nossas belezas naturais. Ao mesmo tempo, o PNB não leva em conta a saúde de nossas crianças, a qualidade de sua educação e a alegria de suas brincadeiras. Não inclui a beleza de nossa poesia ou a solidez de nossos casamentos, a inteligência de nossos debates públicos ou a integridade de nossos homens públicos … Mede tudo, em resumo, menos aquilo que faz com que a vida valha a pena."


sábado, 5 de maio de 2012

A problemática do desmazelo na gestão de resíduos em pelo séc. XXI

A gestão de resíduos assume-se cada vez mais como um dos pilares das políticas ambientais, e como foco da sua conceção.
É cada vez mais notória a preocupação da população em fazer mais e melhor neste campo, em contribuir para a sustentabilidade da sua terra, da sua região e do seu país. Não obstante, ainda existem casos de desmazelo, casos graves que revelam falta de cuidado e consciência, reveladores de um desrespeito tal pela Natureza e pela população, que nem o argumento economicista justifica tais atos.
A nível nacional têm-se verificado cada vez mais casos de deposições irregulares e preocupantes de resíduos, a céu aberto, sem qualquer pudor e preocupação com os solos, com as águas subterrâneas e com a saúde das populações.
Concretamente falando, no distrito de Aveiro, tem-se assistido, ultimamente, a um sem número de situações graves e que decorrem com a conivência e consentimento das instituições responsáveis pela defesa e gestão dos bens públicos.
A saber-se, mais recentemente, em duas freguesias do concelho de Vagos, mais propriamente em Santo António e em Soza, foram desvendadas lixeiras e aterros a céu aberto, que continham e contêm um pouco de tudo, desde eletrodomésticos, roupas, lixos domésticos entulho, pneus usados e velhos, plásticos, ou restos verdes depositados, tendo mesmo havido à conta disso um foco de incêndio. Mas e o que não está à vista, por estar soterrado pelas Juntas?
Mais grave ainda é a possibilidade de numa destas lixeiras, que a Junta de Freguesia gere como um aterro sanitário, ter havido um apoio financeiro do próprio município. Como todos os custos inerentes a uma correta gestão e eliminação de resíduos perigosos, não será difícil de pensar que no meio de tudo o que ali é depositado existam também substâncias contaminantes, muito perigosas para o ambiente, mas também para a saúde das populações, pois as lixeiras estão perto de habitações e podem contaminar as águas subterrâneas. Há quem morra por esse Mundo fora devido ao consumo de água contaminada por poluentes.
Pude acompanhar este caso, que me foi reportado pela Quercus e por elementos do Limpar Portugal, tendo envolvido elementos da CCDR, para que possam aferir as melhores soluções para os casos em questão.
Infelizmente é o que temos, e tenho já um longo histórico de resolução, ou tentativa de resolver, casos deste género. Até na minha terra, Arouca, já se resolveram alguns deste género, com a colaboração do SEPNA - Serviço de Proteção da Natureza e Ambiente da GNR, assim como com entidades competentes.
No caso de Vagos, o mais estranho é existir um Vereador que sabia de tudo isto e sempre se calou, não alertou qualquer entidade competente e não desencadeou nenhuma diligência. Talvez por inércia ou por economicismo?
Não me compete a mim censurar! A mim compete-me, enquanto cidadão, neste caso cidadão ativo em questões ambientais, procurar contribuir com soluções, mas chamando sempre a atenção de quem se desleixa e prevarica.
Gerir resíduos não é uma brincadeira, por as consequências de uma má gestão afetam-nos a todos.

sábado, 10 de março de 2012

A aposta na Educação para a preservação do Ambiente com fomento à inovação e ao desenvolvimento sustentável

É por todos sabido que a Educação é o pilar fundamental para uma sociedade competitiva, evoluída, consciente e produtiva. É inegável e exemplar a  aposta que os países nórdicos, como a Finlândia, a Noruega e Suécia, fizeram na Educação de há 20 anos para cá. Essa aposta teve como pilares fundamentais: Competitividade, Empreendedorismo, Sustentabilidade e Fomento à criação das bases para uma economia competitiva, diversificada e geradora de opções.
O que é que tudo isto tem que ver com o desenvolvimento sustentável e a criação de emprego? Muito mesmo, uma vez que o desenvolvimento sustentável é aquele que garante a extensão das possibilidades de prosperidade ao maior número de cidadãos possível, tendo sempre em conta a preservação dos recursos naturais, garantindo que apenas se utiliza a Natureza no sentido da obtenção de rendimento, e não para a sua exploração insustentável, consumindo o seu capital.
E foi neste campo que os países que citei apostaram, criando as bases mentais, ideológicas e económicas para uma economia robusta, competitiva, sustentável, racional na utilização de recursos e com um forte pendor de inovação e comprometimento com os objectivos regionais e globais de sustentabilidade.
Comparações à parte, o que é importante aqui realçar é que, as economias evoluídas, que apostam na melhoria dos indicadores de preservação ambiental, utilização eficiente dos recursos, sustentabilidade da sua economia e envolvimento das comunidades empresarial, científica e social, são economias com melhores índices de desenvolvimento, com um maior pendor competitivo e com maior aptidão para inovar. Sim, inovar, porque através de uma melhor utilização de recursos, através da implementação de medidas de carácter ambiental e através do estabelecimento de estruturas de custos e de desenvolvimento centradas na racionalidade e sustentabilidade, é possível fazer diferente e melhor com os mesmos recursos. É possível construir automóveis mais leves, logo com menos consumo de energia e menos poluentes, é possível tornar o sector da aviação, responsável por 4,6% das emissões de CO2, mais amigo do ambiente e ao mesmo tempo mais eficiente, no que concerne à utilização de combustível, rubrica que equivale a cerca de 3/5 dos custos, é possível aumentar a produtividade agrícola, respeitando os solos, regulando o consumo de água, contendo os impactos da desflorestação e reduzindo o rácio de emissões por hectare produzido, é possível tornar as empresas mais rentáveis, através de consumos de energia mais eficientes, através da redução do desperdício, através do aumento das taxas de reciclabilidade, através do desenvolvimento de produtos mais eficientes a montante e a jusante da sua cadeia de valor...
Tudo isto é possível numa sociedade consciente, capaz e focada na sustentabilidade do planeta e na gestão eficiente de recursos e rentabilidade sustentável de negócios. Como tal, tudo isto só é possível se o pilar base da sociedade, a Educação, revestir e dotar os cidadãos das valências correctas e dos conhecimentos para fazer melhor com os mesmos recursos, e acima de tudo, incutindo-lhes a mentalidade de, em cada acto ou rotina, terem a sustentabilidade ambiental, a preservação do ambiente e a preocupação com as gerações vindouras em mente.
É por tudo isto que o sistema de Educação necessita de um novo paradigma, que aposte na educação para a preservação ambiental e fomento à inovação e desenvolvimento sustentável!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Protecção do ambiente representa APENAS 1,38 por cento dos impostos

Dos impostos pagos em 2010, 1,38 por cento foi aplicado em áreas de protecção ambiental. Os dados constam do novo site do Governo, através de uma ferramenta que permite fazer uma simulação, «para fins pedagógicos» da distribuição dos impostos de 2010, por contribuinte, relativos aos rendimentos anuais brutos de 2009.
Para uma família média, com um filho e rendimento bruto de 40 mil euros, o total de impostos pagos é de 5341,03 euros. Desses, 73,92 euros são canalizados para protecção ambiental. A maior fatia de impostos vai, no entanto, para a protecção social, com 34,97 por cento.

Dentro da protecção ambiental, a maior despesa está relacionada com gestão de resíduos. Esta área representa 32,16 por cento (no caso da presente simulação, equivale a um total de 23,77 euros), seguida de perto por serviços não discriminados de protecção do ambiente (30,79 por cento), protecção da biodiversidade e da paisagem (19,45 por cento), gestão de águas residuais (17,18 por cento) redução da poluição (0,39 por cento).
A investigação em protecção do ambiente tem uma fatia residual do montante pago em impostos. No total dos 73,92 euros canalizados para protecção ambiental, apenas 0,02 euros são aplicados nesta área.
De facto ainda é muito pouco o montante do investimento no sector ambiental, para que Portugal possa estar na vanguarda, em termos internacionais, no que à protecção do ambiente concerne, assim no que toca à aposta na economia do ambiente e nos empregos verdes.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011


Impacto de uma cultura empresarial de sustentabilidade no comportamento e desempenho corporativo


As empresas e investidores que estão a integrar a sustentabilidade nos seus negócios estão a constatar que este facto aumenta os proveitos das empresas no longo prazo. Experiências e pesquisas demonstram que a adopção de métodos e práticas sustentáveis por parte das empresas proporcionam quatro tipos de benefícios:

- Desenvolver produtos e serviços sustentáveis pode aumentar os proveitos da empresa, reforçar a imagem e a substância da sua marca, e aumentar a sua posição competitiva, à medida que o mercado cada vez mais recompensa as atitudes empresariais ambientalmente e socialmente sustentáveis.

- A adopção de práticas de produção, gestão da cadeia de abastecimento, consumos de recursos e práticas motivacionais de recursos humanos sustentáveis podem também ajudar as empresas a pouparem dinheiro através da redução de resíduos produzidos e do aumento da eficiência energética na cadeia de abastecimento, e através do reforço das práticas de valorização do capital humano, de maneira a que as taxas de retenção aumentem e os custos com o recrutamento e formação de novos colaboradores diminuam.

- O simples foco nas métricas ambientais, sociais e de governação (ASG) permite às empresas atingirem altos padrões de confiança e um risco mais controlado ao nível da gestão, desde que tenham uma percepção mais holística das questões respectivas que afectam o seu tipo de negócio.

- Benefícios financeiros, tais como menor custo da dívida e menores restrições de acesso ao capital, uma vez que através da gestão sustentável, condutora à redução de desperdícios, à diminuição do impacto ambiental, à eficiência e racionalidade da utilização de recursos e a uma melhor performance operacional, gera-se maior confiança por parte do mercado, reduzindo o risco associado à empresa.

As empresas que adoptaram práticas como a redução de desperdícios, aumento da segurança e eficiência da cadeia de abastecimento, aumento da eficiência energética, racionalização no que toca à utilização de recursos e fortes programas de motivação de recursos humanos revelaram uma melhor performance em relação às suas pares, que em vez disso se focam nos resultados imediatos, na gestão ineficaz, na desresponsabilização e na utilização não mensurada e desregulada de recursos.

Citando um estudo da Escola de Gestão de Harvard, publicado no último mês (http://www.hbs.edu/research/pdf/12-035.pdf), foi efectuado um acompanhamento de 180 empresas durante 18 anos. As 90 empresas que adoptaram políticas ambientalmente e socialmente responsáveis, ao longo desse período, obtiveram um desempenho, tanto em termos de capitalização de mercado como em termos de valor contabilístico, em média 42% superior às restantes 90 com um modelo de gestão pouco criterioso e rigoroso em termos ambientais e sociais.

Como Benjamin Franklin, famoso político e embaixador americano da era do Iluminismo, tão assertivamente, uma vez disse: “Vocês podem adiar as medidas importantes a implementar, mas o tempo não vai adiar, e tempo perdido nunca é encontrado novamente.” Nos dias que correm temos uma oportunidade única para mudar as rotinas, optando por uma gestão mais sustentável, mais amiga do ambiente e do ser humano.

À medida que enfrentamos um ponto de inflexão na economia global e a nível ambiental, o imperativo para a mudança nunca foi tão grande.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011


As 6 prioridades mundiais no AMBIENTE

O Ambiente e a protecção dos recursos terrestres, a par da capacidade para gerir as alterações climáticas da Terra, são questões fulcrais no que toca à economia global, assim como à sustentabilidade e salubridade do Mundo como o conhecemos.
Na 17ª Conferência das Partes, que se realizou em Durban, foram atingidos alguns avanços no que toca à Governança Ambiental Global, com o reforço do Fundo de Protecção contra a Desflorestação e Degradação Florestal, assim como forma dados alguns passos no sentido de um reforço e alargamento do protocolo de Quioto, tornando-o mais efectivo e revendo o conceito de países desenvolvidos e países em desenvolvimento, no sentido de incluir países como Índia e China no leque de países com limites rigorosos no que toca à emissão de gases de efeito de estufa e equivalentes. O objectivo é impedir que o aumento da temperatura média global não exceda os 2ºC até ao final do século, sendo que se prevê que a mesma aumente 3,8ºC, e atinja um aumento de 2ºC até 2050, isto se nada for feito, pondo em causa a vida como a conhecemos actualmente.
É notório que as questões ambientais são cada vez mais fulcrais a nível económico e a nível social, por isso mesmo considero que existem 6 prioridades a ter em conta:


Alterações Climáticas

Aumentar a capacidade dos indivíduos, comunidades e nações para se adaptarem às alterações climáticas, convergindo para sociedades de baixo carbono, aumentar a percepção pública acerca das alterações climáticas e os seus efeitos, e reforçar o conhecimento sobre os factores associados às alterações climáticas.


Desastres ambientais e conflitos subjacentes

Minimizar as ameaças, em termos ambientais, para o bem-estar humano que advenham de catástrofes e desastres naturais, e controlar os conflitos e o caos subjacente.


Gestão dos Ecossistemas

Promover uma melhor gestão dos recursos terrestres com o objectivo de conseguir dar resposta às futuras necessidades ecológicas e humanas.   


Governança Ambiental

Promover a aposta na tomada de decisões, a nível ambiental, de uma forma informada e consciente, apostando no reforço da cooperação ambiental a nível regional e nível global.


Substâncias perigosas

Reduzir o impacto das substâncias perigosas, promovendo acções de contenção e mitigação de riscos ambientais associados às mesmas.


Eficiência na utilização de recursos

Promover o consumo sustentável dos recursos naturais, assegurando que a renovação dos recursos é garantida e não é posta em causa pelo consumo desmesurado dos mesmos.

domingo, 20 de novembro de 2011

A responsabilidade social e a preservação ambiental significam compromissos com a vida

"A natureza criou o tapete sem fim que recobre a superfície da terra. Dentro da pelagem desse tapete vivem todos os animais, respeitosamente. Nenhum o estraga, nenhum o rói, exceto o homem", dizia Monteiro Lobato, na sua obra de 1946 "Miscelânia".
É um facto que a Natureza é todo o sistema que nos sustenta, que se constituí como o nosso garante, e acima de tudo é a toda a envolvente que nos permite obter a correspondência das nossas necessidades, dos nossos objectivos e até das nossas extravagâncias.
No entanto não pensamos nisso, e regra geral os nossos comportamentos revelam exatamente o inverso, que desconsideramos a nossa maior fonte de prosperidade e sustentabilidade. 
A cada dia que passa assistimos a comportamentos críticos aos vários níveis da sociedade e economia que podem e estão a pôr em causa a sustentabilidade da Natureza, pelo menos como a conhecemos, o que por si só interfere com a sustentabilidade das nossas terras, dos nossos países e do nosso Mundo.
Um dos comportamentos que mais põe em causa a sustentabilidade do planeta, e arrasta a Natureza para um ponto de não retorno, é o nosso consumo exacerbado, a partir do qual exigimos e extraímos do planeta e da Natureza mais recursos do que aqueles que são renovados. Ou seja, estamos a consumir não só os rendimentos  produto gerado em termos gerais, mas já estamos a dar conta do capital, a dizimar a estrutura.
Atualmente a maior guerra que o Homem está a travar é contra a Natureza, porque é uma guerra silenciosa, devastadora, pondo em causa o sustento das próximas gerações, podendo gerar crises de grau consideravelmente superior a uma crise económico-financeira-social como a que vivemos atualmente, e até mesmo maior que a que foi vivida em 1929, precedendo a 2ª Guerra Mundial, a chamada Grande Depressão.
Urge por isso sim fazer algo, e aí cada um de nós pode dar um grande contributo, através de pequenos esforços, pequenas rotinas de comportamentos e de consumo. É certo que é uma gota no meio do Oceano, o esforço de cada um em prol da sustentabilidade da Natureza, mas sem essa gota, é certo, o Oceano será menor, e tudo irá por água abaixo.


Já diz um dos principais provérbios indígenas:
"Só quando a última árvore for derrubada, o último peixe for morto e o último rio for poluído é que o homem perceberá que não pode comer dinheiro."

sábado, 15 de outubro de 2011

A crise e os 16 mil Milhões do Plano Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico


O Governo do PS, em 2007, apresentou um plano que preconizava a construção de 10 novas barragens com uma potência instalada de 1100MW e uma produção média de 1,6TWh/ ano, com o objectivo de atingir em 2020 uma capacidade de produção hidroeléctrica na ordem de 7000MW, com um objectivo de reduzir a nossa dependência energética, aumentar a quantidade de energia de fontes renováveis, e com isso combater as alterações climáticas.
Das dez barragens, seis estão indicadas para a bacia do Douro. Dessas seis, cinco estão previstas para a sub-bacia do Tâmega (a outra é a famosa barragem de Foz-Tua, que irá submergir a linha do Tua). Quatro das cinco barragens da sub-bacia do Tâmega serão construídas no interior de um círculo com um raio de uma dezena de quilómetros (Vidago e Daivões, no Tâmega; Gouvães, no afluente Louredo; Padroselos, no afluente Beça). A quinta barragem, Fridão, situa-se a 12 km a montante de Amarante. A bacia do Douro, a grande sacrificada, é uma bacia com o rio principal artificializado e com quase todos os restantes altamente intervencionados.
Ao todo estamos a falar de um pacote financeiro de 16 mil Milhões de euros, dinheiro extremamente necessário em tempos de crise, que será inconsequente, uma vez que segundo as projecções actuais para o output de energia por barragem, daquelas que já estão em curso, tais como as que serão construídas, será muito menor que o previsto. Por outras palavras, vamos investir, ou gastar, 16 mil Milhões de euros e não vamos criar um grande impacto na nossa produção energética, uma vez que o valor de produção expectável, que em termos reais será menor, e dependerá muito dos caudais, será menor que o previsto, sendo algo na casa dos 0,2% do nosso consumo anual de energia eléctrica, ou até abaixo. 16 Mil Milhões de euros em barragens apenas para produzir 0,2% da energia consumida no país anualmente não são um investimento, mas sim um desperdício de dinheiro, que poderia ser aplicado em outros projectos de produção energética tais como a valorização energética de resíduos, energia eólica ou redes de nova geração, ou até mesmo no sector produtivo, com o objectivo de estimular a economia.
É por conta destes erros que no prazo de 5 anos seremos o país com a electricidade mais cara do Mundo. Sim, porque estes investimentos têm que ser pagos, e esse montante será imputado à factura de electricidade já pesada das famílias e empresas portuguesas.
Sendo assim, e na minha opinião, o Plano Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH) tem grandes falhas que passo a citar:
1. O PNBEPH adopta uma abordagem oposta a uma política energética moderna e eficaz, desprezando o elevado potencial de uso eficiente da energia, em favor de soluções de electroprodução de baixa rentabilidade económica e elevado impacte ambiental; 
2. O PNBEPH adopta uma abordagem oposta ao planeamento dos recursos hídricos por bacia, desprezando impactes cumulativos importantes, designadamente em matéria de riscos para as populações, biodiversidade e caudais sólidos; 
3. O PNBEPH contribui muito pouco para o seu suposto principal objectivo, o combate às alterações climáticas, impedindo na realidade soluções alternativas mais eficazes; 
4. Ao contrário do que é afirmado no PNBEPH, tudo indica que os impactes sócio-económicos locais serão mais negativos do que positivos; 
5. A viabilidade da maioria das barragens preconizadas no PNBEPH é mais que duvidosa, permitindo antever mais um conjunto de sumidouros de dinheiros públicos; 
6. O PNBEPH não cumpre nem a lei nem a boa prática em matéria de avaliação ambiental estratégica. 

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Dicas para poupar energia - luz e gás - minimizando o impacto da subida do IVA

Desde sábado que a grande maioria dos portugueses estão a pagar 23% de IVA no gás e electricidade – contra os 6% de até agora.
Ficam aqui algumas dicas para poupar energia:
1. Troque as lâmpadas incandescentes. Substitua as lâmpadas incandescentes pelas de halogéneo. Com uma utilização média de cinco horas diárias, recupera o investimento em menos de seis meses.
2. Desligue o standby. Palavras para quê? É um dos conselhos mais dados, nos últimos anos, no que toca à poupança energética: desligue completamente as televisões, computadores, DVD, carregadores de telemóveis, gadgets ou qualquer outro aparelho: o standby – a luzinha vermelha – é responsável por 5% da electricidade consumida numa habitação.
3. Divida o consumo pelo tempo. Com a tarifa bi-horária paga quase metade do preço normal se utilizar os electrodomésticos nas horas do vazio – normalmente das 22h às 8h. Segundo a Quercus, esta tarifa pode levar à poupança de 67 euros por ano, para uma família com um perfil energético normal.
4. Electrodomésticos classe A. Esta dica não é de curto prazo, mas fica o conselho: opte por electrodomésticos de classe energética A, A+ ou A++. As poupanças são imediatas.
5. Economize o seu frigorífico. Coloque o frigorífico num local fresco e ventilado, afastado de fontes de calor, e descongele antes de a camada de gelo atingir os 3 milímetros de espessura. Com este simples gesto pode poupar até 30% no consumo.
6. Loiça suja até encher a máquina. Este conselho também é dos mais básicos: procure utilizar a sua máquina de lavar loiça completamente cheia. Se estiver a meio, utilize programas curtos ou económicos.
7. Sonda de água para lavar roupa. As máquinas de lavar utilizam 80 a 85% da sua energia para aquecer a água. Há máquinas biotérmicas, com duas entradas independentes – uma para água fria outra quente – que utilizam o sistema de produção de águas quentes de casa, permitindo poupar 25%.
8. Centrifugar antes de secar. Apesar de Portugal ser um País de sol, há muitas habitações com máquinas de secar – que dão jeito para Invernos chuvosos. Na verdade, estas máquinas são dos maiores consumidores de energia, pelo deve restringir a sua utilização. Caso não seja possível, deve centrifugar a roupa antes de utilizar esta máquina, para poupar energia.
9. Porta do forno bem fechada. Cada vez que abrimos a porta do forno, desperdiçamos 20% de energia. Por outro lado, também nestes casos deve procurar modelos de classe A.
10. Placas de indução mais rápidas. As placas de indução aquecem os alimentos ao gerarem campos magnéticos – e são mais rápidas e eficientes que as eléctricas.
11. Microondas poupa energia. Ao utilizar um microondas em vez de um forno tradicional reduz o consumo de energia entre 60 a 70%.
12. Produzir calor consome mais. Os pequenos electrodomésticos que realizam acções mecânicas – como bater ou cortar – têm, regra geral, potências baixas. Mas o ferro de engomar, torradeiras e secadores, que produzem calor, têm potencias maiores e consomem mais energia.
13. Ecrãs planos mais eficientes. O ecrã do computador é o elemento informático que consome mais energia. Os planos TFT consomem menos do que os convencionais e os equipamentos informáticos com a etiqueta Energy Star passam a modo de baixo consumo, após algum tempo de inutilização. Ah, e a protecção que poupa mais energia é a totalmente negra. Finalmente, os ecrãs de LCD poupam cerca de 37% de energia em funcionamento e cerca de 40% em modo de espera.
14. Aceda ao www.topten.pt. Este site orienta o consumidor na escolha de electrodomésticos, lâmpadas e até automóveis. O critério e elo comum é a eficiência energética.
15. Utilize menos água no banho. Pois, esta dica também é antiga. Se deixar correr a água menos dez minutos, pode reduzir em 6% a factura do gás natural, o que equivale a 17 euros por ano.
16. Vidros duplos e caixilharia em PVC. Se puder, substitua as janelas e caixilharias por vidros duplos e caixilharias em PVC, que permite menos transferência de calor entre a sua casa e o exterior, no Inverno.
17. Utilize o Sol como mais lhe convier. As casas com grande exposição solar podem poupar muita energia com persianas, redução de aquecimento, pintar as paredes de cores claras ou diminuição de luzes acesas em casa.
18. Temperatura amena todo o ano. Ora aqui está um excelente conselho: defina o set-point do seu sistema de arrefecimento / aquecimento para 21 ou 22ºC, no Verão, e 19ºC, no Inverno. Estas são as temperaturas em que a maior parte da população se sente confortável. Mais 1ºC implica mais 10% de consumo de energia. Um aumento colossal.
19. Escolha o sistema mais eficiente. Se puder, instale painéis solares térmicos, que lhe fornecem água quente sanitária. Assim, poupará mais de 35% na sua factura do gás e electricidade.
20. Seja ecológico: recicle o lixo. A última dica não fará com que poupe dinheiro, pelo menos a curto prazo e directamente, mas irá ter uma relevância brutal para o seu futuro: escolha produtos que não criem resíduos ou que sejam recicláveis. Opte por embalagens familiares, recicle o lixo doméstico e o óleo.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Ataque da crise: Preço dos cereais aumentou 76% num ano

O preço dos cereais disparou 76 por cento no último ano e deve continuar a subir, afectando bens alimentares básicos como o pão e a massa. E nesse campo Portugal está altamente dependente, uma vez que importa 75% dos cereais que são consumidos anualmente no nosso país.
Em termos económicos, esta questão é extremamente preocupante para o nosso país.
Este ano, a produção de cereais em Portugal vai atingir mais um mínimo histórico, ficando abaixo das 180 mil toneladas, segundo as Previsões Agrícolas divulgadas em meados de Agosto pelo INE, o que agrava ainda mais a situação.
Entre Junho de 2010 e Junho de 2011, o índice de preços da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) registou um aumento de 76 por cento, deixando Portugal ainda mais fragilizado.
Muitas pessoas e instituições não têm noção que este é um sector, no qual temos enormes necessidades, quer a nível da alimentação humana (pão e massas), quer a nível das rações para alimentar os animais que produzem a carne que consumimos.
No entanto, a solução para ultrapassar este problema pode não passar, como muitos pensam, pelo aumento da área cultivada, mas antes pela mudança da tecnologia utilizada.
Existe uma enorme expectativa dos produtores em relação ao Alqueva e às zonas onde há barragens.
Se os cereais, que tradicionalmente eram cultivados em regime de sequeiro, passarem a ser de regadio, significa que a produção pode aumentar, com uma área inferior.
Mas falta dinheiro para investir em processos que facilitem o aumento de produtividade. Há que fazer investimentos, comprar sistemas de rega, dar formação aos empresários agrícolas. É preciso dinheiro, tempo e vontade e a conjuntura actual não é muto favorável até porque a banca não está muito disponível para emprestar aos empresários que queiram investir.
Em suma, só investindo no aumento da produtividade agrícola (tonelada por hectare) podemos obter melhores resultados em termos do produto das colheitas, e com isso dar um forte impulso para a redução do nosso défice agro-alimentar, de cerca de 4 mil milhões de euros. Vale a pena tentar!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Uma questão que vale cerca de 4.000 Milhões de Euros!

Vivemos actualmente tempos de incerteza, nos quais somos confrontados com enormes desafios, que se tornaram constantes e transversais.
É sabido que nos próximos anos teremos que seguir à risca um programa de redução do défice e divida para níveis sustentáveis, de estabilização financeira e relançamento da economia nacional, porém trata-se de um programa de sacrifícios, cortes, reduções, aumentos na carga fiscal e desafectações das ajudas públicas.
No entanto convém não esquecer que alguns desses cortes e reduções referem-se às comparticipações, na parte que diz respeito ao Estado, nos programas de financiamento comunitários.
Sendo assim convém que o MAMAOT, Ministério da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, possa ser eficiente e eficaz na gestão efectiva do PRODER, fazendo os possíveis para que possa aumentar a produção nacional agrícola e florestal exportável, assim como reduzir a dependência externa em relação a determinados produtos.
Todavia temo seriamente que os cortes e reduções, impostos pelo programa da “troika”, possam comprometer a execução do PRODER, comprometendo as verbas comunitárias disponíveis, uma vez que a contrapartida estatal poderá ser objecto de redução significativa.
Vai haver um aumento da carga fiscal, sobretudo no que concerne à reestruturação dos escalões do IVA, aumentando o custo de determinados factores de produção, a par com o facto de os preços da energia estarem cada vez mais elevados, o que por si só poderá aumentar significativamente a dificuldade dos Agricultores Portugueses em produzir com rentabilidade, levando a uma redução da produção e consecutivamente a uma redução do valor das exportações e a um aumento do valor das importações, aumentando o já elevado défice agro-alimentar português.
Ao mesmo tempo, a contínua redução do poder de compra dos Portugueses, também vem prejudicar a Produção Nacional com a falta de escoamento e mais baixas dos preços à produção.
Fala-se agora muito da "Produção Agro-Alimentar Nacional" e pelo menos falar não custa. Porém, os principais governantes, enquanto falam na necessidade estratégica de aumentar a produção nacional, estão já a preparar o completo desligamento das ajudas públicas à produção, por exemplo ao Arroz e aos Frutos Secos.
O simples desligamento das ajudas públicas à produção agrícola é um forte factor para a redução da “Produção Agro-Alimentar Nacional”.
Adivinhem lá, então, qual o nosso défice agro-alimentar e onde ele pode parar se nada for feito? Esta é a questão que vale cerca de 4.000 Milhões de Euros.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Pense bem da próxima vez que comprar água engarrafada

Somos constituídos, aproximadamente, por 60% de água.  Precisamos dela para viver. É uma necessidade, tão importante como o ar que respiramos.
Então como é que deixámos que se transformasse numa mercadoria, num negócio de milhões? A água engarrafada é dos negócios mais lucrativos e dos produtos que compramos a um preço exorbitantemente mais caro do que o seu custo de produção. É mais essencial do que o combustível que colocamos nos nossos carros e, numa estação de serviço, consegue ser mais cara do que o mesmo. Mas quando aumentam um e outro, é contra os aumentos de combustíveis que nos manifestamos.
É-nos vendida a ideia de que estamos a ter acesso a água proveniente de uma fonte pura, segura, mais saudável. Quando a água que nos surge na torneira das nossas casas é submetida a controlos de qualidade que lhe conferem essa mesma segurança. Nem sempre assim o foi, e não em todo o país, mas não é onde temos a pior água canalizada em Portugal que se bebe mais água engarrafada.
As empresas de água engarrafada estão sempre à procura de nos dar o que queremos e o que achamos que queremos. Se por acaso pensamos em saciar a nossa sede com meia dúzia de golos, então as garrafas de 20 cl surgem para a nossa comodidade. Se achamos que precisamos de um pouco mais, então aí temos as de 50 cl. Simples, rápido, disponível e descartável. Água em pequenas doses e ao nosso alcance, em qualquer ponto do país e centenas de vezes mais cara do que a água da torneira.
Um litro de água engarrafada pode custar facilmente €1. Mil litros de água canalizada custarão cerca de €0,72 e não é no escalão mais barato.
E então porque o fazemos? Porque é que durante anos o consumo de água engarrafada foi subindo até que, em 2008, três quartos da população portuguesa recorria a esta forma de obter água? Porque a água canalizada do nosso país não tem qualidade? Bom, se em tempos isso pode ter sido verdade, nos dias de hoje e na quase totalidade do território, a água da torneira disponível para as populações tem boa qualidade. Porque o sabor não é tão bom? Quanto a isso, qualquer filtro portátil ou acoplado à torneira torna a água com um sabor igual à maioria das águas engarrafadas, ou mesmo melhor.
Creio que embarcámos neste frenesim de consumo de água engarrafada devido ao marketing que foi feito em torno deste produto, em que modelos, desportistas e atores nos diziam o quão pura e natural aquela água era, dando-nos a noção de ser mais saudável. Isso, associado ao mito urbano da água canalizada municipal ser de pior qualidade, levou a esse incremento exponencial, ao ponto de existirem pessoas que a utilizam inclusive para cozinhar.
Esquecemo-nos ainda, ou simplesmente desconhecemos, que o recipiente do qual bebemos a nossa água engarrafada está longe de ser o adequado. Já foi comprovado que o plástico, do qual são feitas as garrafas de onde bebemos a nossa água engarrafada, liberta para a mesma componentes que a longo prazo podem ter efeitos nocivos sobre a nossa saúde, como por exemplo e em alguns casos o Bisfenol A. Componente perigoso o suficiente para que a União Europeia o tenha proibido na produção de biberões vendidos em espaço comunitário. Libertação essa que é acelerada quando o plástico é exposto ao calor. Mesmo que não exponha a sua garrafa de água ao sol, será que o distribuidor teve o mesmo cuidado antes da garrafa ter ido parar à sua mão?
Para além de perigoso para a saúde, a produção deste plástico todo, responsável pela maior parte dos resíduos urbanos plásticos, assim como a sua distribuição, aumentam em muito o consumo de CO2 no planeta.
O seu sabor é facilmente obtido pela filtração da água de torneira; a sua portabilidade pode ser colmatada com o uso de uma garrafa de metal; o seu consumo não é mais seguro, pelo contrário; o seu custo é centenas de vezes maior do que a água de torneira; e a sua produção e distribuição resulta num grande impacto para o planeta.
Pensando em tudo isto, quer mesmo comprar a próxima garrafa?

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Porquê apostar na floresta para reduzir o desemprego e o abandono do interior?

O sector florestal foi reconhecido por este e por outros governos como um sector estratégico, com enorme relevância na actividade económica nacional.
Todavia, os dados do último Inventário Florestal Nacional e os registos das áreas ardidas das últimas décadas não deixam razão para dúvidas sobre a realidade dura do sector.
É de destacar, concretamente:
- Decréscimo acentuado da área florestal do Norte e Centro do País, a rondar valores de 10 e 3% respectivamente;
- Redução drástica de Pinheiro bravo, cerca de 300 mil ha só na última década;
- A indústria do papel a reclamar mais 200 mil ha de eucalipto;
- Desaparecimento de milhares de microempresas de serração;
- Continuada desvalorização da madeira de pinho e eucalipto,
- Proliferação de terríveis pragas no coberto florestal nacional,
- Incêndios que dizimam anualmente dezenas e dezenas de milhares de ha de floresta e outros recursos agro-florestais;
Constata-se que o mundo rural continua a perder vitalidade e a desertificar-se paulatinamente à espera da sua "morte" lenta e irreversível, não obstante os seus principais agentes reclamarem há muito dos sucessivos Governantes e da União Europeia que estes olharem para o espaço rural como alfobre, como reserva de mão-de-obra, como espaço produtivo agro-florestal de inegável riqueza alimentar, paisagística, ambiental e cultural.
Porém, existem inúmeros terrenos baldios, abandonados ou semi-abandonados, ultrapassando um milhão de hectares.
No plano nacional constata-se a crescente incapacidade de resposta dos serviços da Administração Pública face à multiplicidade de problemas existentes na área dos baldios. Incapacidade provocada pelo emagrecimento dos recursos humanos, nas sucessivas mudanças dos responsáveis e das inúmeras Leis Orgânicas que introduzem hiatos e instabilidade funcional para não falar já, nas erradas receitas das políticas centralizadoras incapazes de fazer um aproveitamento integrado dos recursos existentes, geradores de produção, economia, emprego e sustentabilidade.
Imagine-se se todos estes hectares de terreno disponíveis fossem aproveitados para fins florestais e agrícolas, o emprego que se geraria, o impacto que teria na balança comercial Portuguesa, e acima de tudo o desenvolvimento que se proporcionaria ao mundo rural.
Contudo é necessário encontrar uma estratégia, envolvendo todas as partes, que possa ser determinante para reanimar um dos sectores mais importantes do nosso país, a Floresta, o nosso ouro verde.
Neste aspecto as várias entidades estatais intervenientes devem ser unas e céleres na sua forma de trabalhar e deixarem a forma individualista e desestruturada em que avaliam as situações. As entidades estatais têm de deixar de agir como pequenos Estados dentro do grande Estado onde cada vez mais se vê uma busca ávida de auto-financiamento e onde a qualidade dos serviços, as pessoas e o serviço público ficam para segundo plano. A floresta tem de ser vista como prioridade Nacional, fonte de receita e emprego e como principal agente de combate à desertificação.
É igualmente necessário que o PRODER- florestal despegue do seu estado letárgico e comece a responder positivamente às inúmeras solicitações dos produtores florestais privados e Entidades Gestoras dos Baldios para a satisfação das várias acções e medidas nele contempladas.
Sendo assim algumas das medidas a reclamar, que poderiam gerar uma enorme dinâmica económica seriam, entre outras, as seguintes:
1º - Um Plano de emergência nacional que responda às necessidades fitossanitárias da floresta autóctone, designadamente - Nemátodo do Pinheiro, declínio do sobreiro e cancro do castanheiro;
2º- Que o Plano Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios passe a enquadrar a gestão florestal como condição vital na prevenção, que possa existir a integração das comunidades locais autóctones nos sistemas integrados de apoio e combate a incêndios e a entrada em funções de novas equipas de sapadores florestais, reduzindo drasticamente a área anual ardida;
3º- Colocar em termos de discussão, como prioridade regional à AFN e ao Governo uma listagem de Conselhos Directivos de Baldios que desejam alterar o actual modelo de co-gestão dos baldios e passar à modalidade de gestão autónoma;
4º- Desburocratização do PRODER (Programa do Desenvolvimento Rural), no que respeita à redução do prazo de apreciação técnica por parte das várias Entidades que emitem pareceres vinculativos. Condição, esta, essencial para a recuperação do excessivo atraso na implementação dos objectivos do Programa na componente florestal;
5º - Que a actual equipa Ministerial que aglutina áreas do Desenvolvimento Rural, Florestas, Ambiente e Ordenamento, não tem desculpas se não aproveitar as multiplicidades das valias públicas e naturais do espaço rural, numa perspectiva de revitalização destes territórios comunitários.